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Nova aplicação para iPhone pode salvar as baleias-francas

Terça-feira, 10 de Abril de 2012

Fonte: Anda

baleia

(Foto: Kim Westerskov/Reuters)

Os esforços para conservar as baleias-francas no Atlântico Norte entraram no mundo das tecnologias com a criação de uma aplicação para iPad/iPhone que pode avisar os navios sempre que se aproximam de uma zona com aqueles animais ameaçados.

A aplicação Whale Alert, gratuita, utiliza um sistema de posicionamento global e outras tecnologias para cruzar os dados mais recentes sobre a detecção das baleias com as cartas oceânicas da Agência Nacional Oceânica e Atmosférica norte-americana (NOAA).

O projeto é um esforço conjunto da NOAA e de outras agências governamentais dos Estados Unidos – incluindo o Serviço Nacional de Parques e a Guarda Costeira – e universidades e organizações conservacionistas.

Com esta aplicação, os responsáveis acreditam que podem limitar o número de baleias que morrem por colidirem com navios, especialmente de cruzeiro e porta-contentores. Quando as baleias são detectadas numa área, os navios podem alterar o seu curso ligeiramente ou simplesmente abrandar a velocidade.

“A Whale Alert é uma colaboração inovadora para proteger esta espécie criticamente ameaçada”, disse David Wiley, coordenador do projecto Stellwagen Bank National Marine Sanctuary, da NOAA.

As autoridades marítimas estimam que existem apenas entre 350 e 550 baleias-francas nos oceanos do planeta. “As baleias-francas são uma espécie icónica para aqueles que vivem nas zonas costeiras de Massachusetts e do Norte dos Estados Unidos”, disse o director do Fundo Internacional para o Bem-estar animal em Yarmouth Port, Patrick Ramage, citado pela agência Reuters.

Estes animais vivem ao longo da costa Norte dos Estados Unidos, desde Newfoundland até à Florida. As baleias, que vivem em média entre 50 a 70 anos e podem pesar 70 toneladas, são vulneráveis às colisões com navios porque se alimentam perto da superfície do mar.

As colisões com navios mataram mais de um terço das baleias-francas registadas entre 1970 e 2007. Tendo em conta a fragilidade da população, a perda de uma única baleia – especialmente uma fêmea reprodutora – pode ter um impacto significativo na espécie.

A nova aplicação foi desenvolvida para os iPad e iPhones da Apple pela EarthNC e pela Gaia GPS.

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Um mergulho nos recifes ‘invisíveis’ de Abrolhos

Sábado, 07 de Abril de 2012

Fonte: Estadão

abrolhos

Herton Escobar/AE Universo marinho do Banco de Abrolhos é maior que o Espírito Santo

Ao redor do barco, nada à vista além de água, 360 graus. Caímos no mar equipados e descemos agarrados à corda da âncora, balançando na correnteza como se fôssemos pipas ao vento.

Vinte metros para baixo, encontramos o que procurávamos: grandes cabeços de recife coralíneo, cobertos de esponjas coloridas e encrustados de corais-cérebro, com frades, badejos, budiões e outros peixes recifais se refugiando em suas reentrâncias. Uma paisagem submersa típica do Parque Nacional Marinho dos Abrolhos, no sul da Bahia. Com uma diferença importante: não estamos dentro do parque.

Estamos 2 quilômetros ao norte, em águas não protegidas, e os recifes à nossa frente são parte de um enorme mosaico de ecossistemas coralíneos formados milhares de anos atrás e conhecidos há gerações por pescadores locais, mas só recentemente “descobertos” por cientistas e ambientalistas – que agora estão embarcados numa corrida para recuperar o tempo perdido e proteger esses ecossistemas, essenciais à sobrevivência da biodiversidade e da atividade pesqueira que se alimenta dela.

Há cinco anos pesquisadores vêm extrapolando os limites para mapear e estudar a composição dos 48 mil quilômetros quadrados do Banco de Abrolhos que estão fora da zona de proteção do parque. Um universo marinho maior que o Espírito Santo, onde a plataforma continental (a borda submersa do continente) se estende a até 200 quilômetros da costa, criando um ambiente de águas rasas e mornas que acolhe a maior diversidade de espécies marinhas do Atlântico Sul.

Como resultado desse esforço, capitaneado pela organização Conservação Internacional (CI) e um grupo de oito instituições que compõem a chamada Rede Abrolhos, financiada pelo Sistema Nacional de Pesquisa em Biodiversidade (Sisbiota), vários tesouros biológicos já vieram à tona, resgatados das profundezas de Abrolhos por meio de imagens de sonar, robôs submersíveis e expedições de mergulho. Entre eles, mais de 8 mil km² de novos sistemas recifais, a maior parte deles não visíveis da superfície, em áreas de 20 a 50 metros de profundidade. Chamados recifes mesofóticos ou de meia-luz.

“É o maior banco de corais do Atlântico Sul e só conhecíamos 5% dele”, diz o biólogo Guilherme Dutra, diretor do Programa Marinho da CI, que trabalha há mais de dez anos em Abrolhos. “Sabíamos que havia muitos recifes fora do parque, mas ninguém tinha mapeado isso até agora.” Com esse olhar mais profundo, a área conhecida de ocorrência de recifes no Banco de Abrolhos cresceu 20 vezes, comparado ao que se conhecia até 2008 – restrito, basicamente, ao que era visível da superfície.

Os principais construtores e decoradores desses recifes são os corais-cérebro, do gênero Mussismilia, que formam estruturas alongadas em forma de cogumelo, conhecidas como chapeirões. O registro fóssil mostra que eles eram comuns no mundo todo 15 milhões de anos atrás, mas hoje só existem no Brasil. Uma espécie específica, a Mussismilia braziliensis, só ocorre na costa da Bahia. “Abrolhos é como um fóssil vivo gigante”, diz o biólogo americano Les Kaufman, professor da Universidade de Boston e cientista marinho da CI. “Que pode estar a caminho de virar um fóssil morto, se não tomarmos as medidas necessárias para protegê-lo.”

Pescaria. A alegria de descobrir os recifes é acompanhada de uma tristeza, ao constatar que a quantidade de peixes presente neles está bem abaixo do esperado para esse tipo de hábitat. Quem frequenta esses recifes há muito mais tempo que os pesquisadores são os pescadores, que se aproveitam desses hábitats privilegiados como campos férteis para sua pescaria – praticada, muitas vezes, de maneira ilegal e perigosa, por mergulhadores conectados a compressores de ar, que passam horas debaixo d’água caçando com arpões.

“Aqui deveria estar cheio de dentão; é o ambiente perfeito para eles”, diz o biólogo Matheus Oliveira Freitas, ao voltarmos para o barco, referindo-se a um dos peixes mais visados pelos caçadores.

Aluno de doutorado da Universidade Federal do Paraná e pesquisador associado da CI, Freitas há anos coleta e examina peixes de várias regiões do Banco de Abrolhos para tentar descobrir onde, quando e com que periodicidade cada uma das espécies se reproduz. Informações cruciais para o gerenciamento sustentável da pesca na região.

Ele procura, principalmente, pelos pontos de agregação reprodutiva, locais específicos onde grandes cardumes se formam periodicamente – apenas em determinadas luas do ano – para desovar seus gametas simultaneamente. Para isso, Freitas examina as gônadas dos peixes pescados, o que lhe permite dizer se o animal é macho ou fêmea, se está em “repouso”, se desovou recentemente ou está prestes a desovar. Depois relaciona isso com os pontos geográficos e o conhecimento tradicional dos pescadores, juntando pistas sobre o ciclo reprodutivo das espécies.

Também mede e pesa cada peixe e retira amostras de tecido, que podem ser analisadas quimicamente para saber do que o peixe se alimenta.

Por fim, coleta os otólitos, duas “pedrinhas” de carbonato de cálcio que ficam embutidas em um compartimento cheio de líquido entre a cabeça e a espinha dorsal do peixe, funcionando como um órgão de equilíbrio, equivalente ao ouvido interno humano. “É a caixa preta dos peixes”, compara Freitas. Fatiados e analisados sob o microscópio, os otólitos têm anéis de crescimento que podem ser contados para estimar a idade do peixe, como se faz com os anéis dos troncos de árvores.

“Não tem como fazer gestão pesqueira sem conhecer a biologia dos peixes”, justifica o pesquisador.

Assim como não dá para conservar “às cegas”, sem conhecer a fundo a distribuição e o funcionamento dos ecossistemas que se pretende proteger. Esse é o objetivo prático das pesquisas, segundo Dutra: gerar conhecimento científico para embasar uma proposta eficiente de expansão da rede de áreas protegidas no Banco de Abrolhos.

Uma proposta, ressalta Dutra, que seja boa para peixes e seres humanos, beneficiando a pesca e atenuando conflitos com atividades econômicas, como a exploração de petróleo e gás. Para isso, os dados biológicos e minerais gerados estão sendo cruzados com dados econômicos e sociais, para produzir uma espécie de zoneamento ecológico-econômico de Abrolhos. “Temos várias alternativas de proteção, mas qual delas oferece o melhor custo benefício? É isso que queremos saber”, afirma Dutra.

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