CITES rejeita a proposta de suspender a comercialização do Atum Vermelho

A conferência da Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestres (CITES) rejeitou nesta quinta-feira (18), em Doha, a proposta de Mônaco, destinada a suspender o comércio de atum vermelho no leste do Atlântico e no Mediterrâneo.

O principado de Mônaco havia proposto inscrever a espécie, de alto valor comercial, no Anexo I da CITES para proibir sua negociação internacional e proteger sua população, vítima da pesca.

O Japão, principal consumidor de “thunnus thynnus”, que se opunha à medida, recebeu amplo apoio de países em desenvolvimento.

A proposta foi rechaçada por 68 votos. Vinte participantes votaram a favor e 30 se abstiveram.

Uma proposta europeia, que previa uma futura inscrição do atum vermelho no Anexo I, também foi rejeitada por 72 votos a 43 e 24 abstenções.

Agora quem cuidará da espécie é a Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico (ICCAT), conhecido por falhar repetidamente em estabelecer níveis aceitáveis de pesca.

Se a previsão mais pessimista é de que este resultado cause a futura extinção da espécie, a SEA SHEPHERD não permitirá que esta se perca sem lutarmos por seu direito de existir!!!

Por isso o STEVE IRWIN está zarpando dia 16 rumo à Europa para iniciar a OPERAÇÃO BLUE RAGE.

A Sea Shepherd Conservation Society pretende confrontar a pesca predatória e não vai recuar diante das ameaças e da violência por parte dos pescadores ilegais europeus. Nossas campanhas no Oceano Antártico contra baleeiros japoneses durante os últimos seis anos nos deu a experiência e a vontade de combater a violência de indústrias predatórias em qualquer lugar do mundo.

“Podemos perder um navio, mas a perda de um navio é preferível à perda do atum como uma espécie”, disse o Capitão Paul Watson. “Os navios são dispensáveis, as espécies não são.”

Com participação da ANDA

O que pensa Truda Palazzo sobre este assunto

O Brasil declarou antecipadamente abstenção, mas é consenso entre os parceiros que me informam dos movimentos em Qatar que o des-governo brasileiro fez articulação contrária, aliás em linha com o que o MRE se recusava a declarar aqui mas que era posição conhecida, a do Mi(ni)stério da pesca, CONTRA a proteção da espécie.

Uma posição pusilânime, cúmplice, safada. Mera coincidência, claro, que o Brasil preside a fracassada ICCAT, a comissão do atuim atlântico, que está levando a espécie à extinção pela sobre-explotação.
Veja como começou o debate na CITES:
1. Encontro da CITES pretende proibir a pesca do Atum do Atlântico
2. Japão é contra a inclusão do Atum Vermelho na lista de extinção

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Expedição australiana prova que matança de baleias do Japão com “propósitos científicos” é desnecessária

Por Marcela Couto (ANDA)

Um grupo de pesquisadores de baleias retornou das águas da Antártida na sexta-feira, 12, após uma expedição na qual provou que a matança de baleias anual do Japão para “propósitos científicos” é totalmente desnecessária.

Durante a viagem, cientistas australianos, franceses e neozelandeses usaram técnicas não letais para estudar as baleias. A proposta tinha como objetivo confrontar o Japão, que mata mais de 1.000 indivíduos da espécie por ano alegando estudos científicos. O país conseguiu autorização para matar os animais por causa das supostas pesquisas.

Os críticos afirmam que o tal programa de estudos é apenas uma forma de mascarar o comércio de partes de baleia, já que a carne é vendida para consumo no Japão.

A expedição foi a primeira em cinco anos organizada pelo governo australiano que recebeu autorização da Comissão Internacional de Caça às Baleias.

Os cientistas focaram as pesquisas no número de baleias, dieta praticada, rotas utilizadas para encontrar alimentos e rotas migratórias para reprodução no Pacífico central.

“Todas essas questões podem e estão sendo respondidas com técnicas não letais”, afirmou o cientista líder da expedição Nick Gales.

Toshiori Uoya, um oficial japonês, insistiu que alguns dados “só podem ser obtidos por meio da abordagem letal”, incluindo idade do animal, conteúdo estomacal e taxa de fertilidade.

O ministro do meio ambiente da Austrália, Peter Garrett, declarou que a pesquisa mostrou “métodos eficazes e acessíveis para coletar todas as informações importantes sem a necessidade de matar as baleias.”

Os cientistas tiraram fotos, fizeram pequenas biópsias e instalaram dispositivos de rastreamento por satélite nos animais, possibilitando o estudo de todas as rotas de alimentos e migração.

Dentre as conclusões do estudo, constataram que a população de baleias corcunda está se recuperando muito bem, já a da baleia-azul parece ter caído em torno de 2%, devido à enorme exploração que sofreu.

Outros países que participam de um grupo de pesquisas oceânicas já manifestaram interesse e farão parte das próximas expedições, de acordo com Gales.

Todos os resultados da viagem serão apresentados à Comissão Baleeira Internacional no encontro anual de Agadir, Marrocos, em junho.

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Nove golfinhos são resgatados após encalharem em praia nos Estados Unidos

Por Giovanna Chinellato (ANDA)

Parecia uma causa perdida. A nadadeira dorsal do golfinho não se mexia, e muitos dos veteranos na equipe de resgate pensaram que o mamífero, atolado na lama, estava morto.

Então eles notaram um pequeno movimento de cauda e ouviram o ar passando pela sua narina. Foi aí que decidiram agir, apesar dos 15 metros de lodo que os separavam do golfinho.

Golfinho sendo resgatado  Foto Steve Haines   The Bosto
Golfinho sendo resgatado (Foto Steve Haines – The Boston Globe)

Por dois dias, depois que os moradores descobriram 16 golfinhos presos no lodaçal de Drummer Cove e Lieutenant Island, em Boston, nos Estados Unidos, equipes de resgate da IFAW (em português, Fundo Internacional para o Bem-Estar Animal) vestiram suas botas de borracha e roupas secas para tentar chegar até os golfinhos.

É comum golfinhos encalharem no Cape, mas é um mistério, disse Michael Moore, um especialista em pesquisas do Instituto de Oceanografia de Woods Hole, veterano na base de resgate do Yarmouth Port.

“Nós queríamos entender por que eles encalham com tanta freqüência”, ele disse. “A maioria é saudável. Então fazemos o que podemos para salvá-los”.

Até o fim do último dia 12, a equipe tinha salvado nove golfinhos encalhados. Quatro morreram antes que pudessem ajudar, e um outro teve de ser sacrificado, pois estava em péssimas condições de saúde. Dois desapareceram, acredita-se que tenham conseguido nadar até o mar sozinhos.

O governo federal autorizou o IFAW a resgatar mamíferos encalhados em Cape Cod e na costa sul de Massachusetts. Ano passado, o grupo batalhou para resgatar 207 golfinhos, e esse ano já atenderam a 100 encalhamentos, segundo Katie Moore, diretora do grupo.

Ela disse que ainda não se sabe porque tantos golfinhos ficam encalhados durante a maré baixa, entre janeiro e março. “Quando a maré diminui em Wellfleet, não sobra água”.

Antes da madrugada de quinta-feira, 11, o time havia resgatado seis golfinhos, um processo que levou horas. Cada animal foi coberto com cobertores, molhado com baldes de água, teve o sangue examinado e foi injetado com esteróides e vitaminas antes de ser libertado nas águas profundas de Herring Cove, perto de Provincetown.

A equipe não terminou o trabalho até duas da manhã.

Na manhã do dia 12, com as marés subindo novamente, eles estavam de volta ao Drummer Cove, onde viram outros três golfinhos. Conseguiram resgatar dois deles, mas não o que estava nadando em águas rasas.

Eles carregaram os golfinhos resgatados até a praia e dali para um trailer, onde trabalharam para que recuperassem a saúde e pudessem voltar para a água. Depois usaram macas para carregá-los até Herring Cove e a dupla nadou junta sob o sol de fim de tarde, suas caudas batendo na água tranqüila, conforme dirigiam-se para as águas profundas.

Perto das 16h, o time decidiu fazer mais uma tentativa para resgatar o último golfinho, que estava deitado inerte no lodo fundo e gelado.

Quando os membros da equipe de resgate perceberam que ele estava vivo, acabaram atolando na lama, como se fosse areia movediça.

“Agora estamos decidindo o que fazer”, disse Katie Moore, enquanto estava na praia olhando os golfinhos. “É perigoso aqui fora. Nós não queremos ninguém da equipe ferido.”

Após alguns minutos, eles decidiram persistir, e a equipe trouxe placas de madeira para se apoiar enquanto ajudavam o golfinho.

Depois de uma hora, eles haviam cavado um buraco em volta do animal e puxado seu corpo coberto de lama para uma maca vermelha. Estimaram que o animal pesasse 160Kg.

Os oito homens e mulheres, todos cobertos de lama, colocaram o mamífero num cesto revestido de espuma. Lentamente, moveram o cesto e o golfinho até areia firme, e o levaram até o trailer, onde trataram do animal.

“Vocês são os melhores!”, gritou um dos vários espectadores.

Eles tiraram a lama do golfinho, que parecia exausto. Cobriram-no com um cobertor e jogaram baldes de água para que se sentisse mais confortável. Fizeram o exame de sangue e deram medicamentos.

Uma hora depois, decidiram que o golfinho estava forte o suficiente para sobreviver sozinho. Guardaram tudo e foram para Herring Cove com seu passageiro.

“Esse é um golfinho de sorte”, Cady disse.

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A Verdade sobre o Alegado Roubo de Ovos de Tartarugas na Costa Rica

Por Marcelo Szpilman*

Nas últimas semanas tem corrido livre pela internet emails com o assunto AJUDEM A DIVULGAR ESTE ABSURDO contendo fotos de pessoas coletando ovos de tartarugas marinhas e os carregando em grandes sacos. O e-mail termina solicitando “FAVOR DIFUNDIR. ROUBAM OS OVOS DAS TARTARUGAS PARA VENDER AOS GOURMETS SOFISTICADOS. REPASSEM O PLANETA AGRADECE”.

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Por orientação do Projeto Tamar – ICMBio / Fundação Pró-Tamaré importante esclarecer os fatos e estabelecer a verdade pois o que sugerem o texto e as imagens não é exatamente o que parece. É mais uma “pegadinha” da Internet.

A VERDADE

A Costa Rica tem enorme tradição de conservação das tartarugas marinhas. O pesquisador americano Archier Carpioneiro na conservação de tartarugas marinhas há 50 anos já trabalhava para preservar a espécie Lepidochelys olivacea (tartaruga oliva) em Tortugueiro Costa Rica hoje um dos maiores sítios de desovas dessa espécie no mundo.

E uma das características mais impressionante dessa espécie é que ela produz as Arribadas um fenômeno que ocorre exclusivamente na Costa Rica. As tartarugas saem juntas da água em direção à praia para desovar aos milhares por varias noites seguidas. São mil na primeira noite cinco mil na segunda noite e assim por diante. Em cinco noites cerca de 100 mil tartarugas desovam em pequenas praias com cerca de 300 metros em um verdadeiro engarrafamento na areia. Os ninhos das primeiras fêmeas são revirados pelas outras expondo-os ao tempo e aos predadores (aves, onças, crocodilos e gambás) o que muitas vezes inviabiliza o sucesso reprodutivo.

Na Praia de Ostional na Costa Rica onde esse fenômeno também acontecee que está retratado nas imagens dos emails os moradores locais baseados em dados biológicos são autorizados a fazer o aproveitamento dos ovos que são depositados nos dois primeiros dias da arribada e que seriam destruídos pelas fêmeas que desovam nas noites seguintes. Ou seja os moradores locais coletam os ovos depositados somente nas duas primeiras noites e deixam os ovos desovados nas três noites seguintes.

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Como tudo na vida há prós e contras, críticas e elogios. Porémos conservacionistas da Costa Rica acompanham através das analises cientificas o desenrolar dessa experiência que há dezenas de anos mobiliza milhares de pessoas e tartarugas. Como estratégia de conservação busca-se fazer um manejo sustentado equilibrando os interesses. Assim não se perdem milhares de ovos a comunidade local tem uma fonte de renda e as tartarugas fêmeas não são capturadas e continuam se reproduzindo.

30 Anos de Projeto Tamar – Um Fato Curioso

No Brasil não há arribadas e as tartarugas oliva concentram suas desovas no Estado de Sergipe e no litoral norte do Estado da Bahia apresentando a maior recuperação populacional entre as cinco espécies que ocorrem no Brasil.

Esse ano o Projeto Tamar comemora 30 anos de excelentes serviços prestados na proteção e monitoramento das tartarugas marinhas. Como elas podem levar até 30 anos para se tornarem adultas e aptas a se reproduzirem estamos recebendo nas praias brasileiras a primeira geração de tartarugas protegidas pelo Projeto Tamar. Começaram protegendo cerca de duzentos ninhos da tartaruga oliva e hoje já são mais de seis mil ninhos por ano.

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JAPONESES NÃO VIVEM SEM CARNE DE BALEIA

Da BBC

O futuro das baleias não depende só da briga entre ambientalistas e pescadores.
Os consumidores japoneses acostumados a devorar hambúrgueres, sashimis e filés de baleia não querem limitar a caça.

“Cada mordida me lembra a merenda do colégio”, disse um japonês à BBC.

Recado do Editor:

“A cada mordida sua me lembro das 9000 Baleias mortas pelo Japão na Antártida”

Novamente eles vem com esse papo goiaba de que carne de baleia é essencial para viver… é um absurdo a BBC colocar que o que existe é uma briga entre ambientalistas e pescadores.

Em primeiro lugar as baleias são caçadas e não pescadas, entretanto a BBC fala da caça logo abaixo. A BBC precisa se decidir se chama de caça ou de pesca o assassinato de 9000 mamíferos só na Antártida.

Em segundo lugar os japoneses devem se preparar, pois a CITES vai limitar a pesca do BLUEFIN (Atum) e segundo os próprios japoneses informaram, não vão obedecer a este limite imposto. Se começarem a pescar de forma irregular estarão contra as leis e tratados de conservação internacional. Preciso dizer quem vocês vão encontrar no mar mais freqüentemente?

FONTE: Notícia publicada hoje no jornal físico “O Estado de Sâo Paulo”

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Canadá aumenta em 50 mil animais cota para caça de focas

da France Presse, em Ottawa

Adrian Raeside sealhunttraduzido

O ministro de pesca do Canadá aumentou nesta segunda-feira (15) a quantidade total de focas que poderão ser mortas durante a temporada anual de caça na costa Atlântica, que terá início no fim do mês. O total discriminado ficará em 388.200 focas.

A quantidade total de focas harpa que poderão ser caçadas aumentará para 330 mil, contra 280 mil em 2009. Já as cotas para as focas cinza e de capuz se manterão sem alterações, em 50 mil e 8.200 animais, respectivamente.

A razão, citada pelos funcionários, para o aumento da cota, é uma população de focas em crescimento no Golfo de San Lorenzo e nas águas ao leste de Newfoundland.

“Este governo está unido em apoio aos milhares de pescadores canadenses que dependem da caça de focas para sobreviver”, indicou o ministro de Pesca, Gail Shea, em um comunicado.

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“A caça de foca é uma atividade sustentável baseada em princípios sólidos”, acrescentou.

As populações de focas cinza e de capuz estão avaliadas em mais de 300 mil e 600 mil, respectivamente, e “seguem crescendo a cada ano”.

A população de focas harpa, no entanto, está estimada em 6,9 milhões de animais, “mais do triplo do que existia na década de 1970″.

Aproximadamente 6 mil canadenses participam da caça de focas todos os anos na costa Atlântica, e 25% de suas vendas ocorriam pela exportação dos produtos à Europa.

Em julho de 2009, a União Europeia proibiu a importação de produtos derivados de foca a partir de 2010.

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Pesca predatória consome rio da Amazônia

Conflito entre pescadores comerciais e artesanais ameaça a biodiversidade e o modo de vida ribeirinho na divisa entre Amazonas e Roraima; proposta para criação de área protegida está travada em Brasília

Franciel, 6 anos, nasceu e cresceu na floresta amazônica, à beira de um rio. Mas nunca viu um pirarucu. O maior peixe da Amazônia, ele só conhece pelas figurinhas de colorir no livro da escola. “Um dia ele veio me perguntar se o pirarucu de verdade era assim mesmo, igual ao do papel”, assustou-se o pai, Francisco Pareide de Lima, artesão e pescador do Rio Jauaperi.

Lima mesmo, aos 42 anos, não vê um pirarucu faz tempo por ali. Não por causa das águas escuras da Bacia do Rio Negro, mas porque a espécie virou mesmo coisa rara – raríssima – no entorno da comunidade onde vive, chamada Itaquera, a um dia e meio de barco de Manaus.

É o sintoma mais emblemático de um conflito entre pesca artesanal e comercial que há anos ameaça a subsistência dos ribeirinhos e a preservação do meio ambiente na região do Jauaperi e do baixo Rio Branco, na divisa do Amazonas com Roraima.

A pesca artesanal é a base da alimentação dos ribeirinhos, que têm no peixe sua principal – e às vezes única – fonte de proteína. Sair em uma canoa com um anzol ou uma zagaia (arpão de três pontas) na mão é como ir à padaria buscar pão para o café da manhã. Faz parte da rotina.

É difícil faltar peixe na Amazônia. Mas a concorrência com os barcos comerciais (chamados geleiros) que arrastam suas redes rio acima vem tornando essa rotina cada vez mais sacrificada para os ribeirinhos. Em 2001, já notando uma diminuição na quantidade de peixe, um grupo de moradores entrou com pedido no Ministério do Meio Ambiente (MMA) para a criação de uma Reserva Extrativista (Resex) no Baixo Rio Branco-Jauaperi, que daria aos comunitários o controle sobre as atividades de pesca e extrativismo na região.

O projeto recebeu aval do ministério em 2007 e foi encaminhado à Casa Civil, que agora o devolveu para o MMA (mais informações na pág. A30).

Em 2006, o peixe ficou tão escasso no Jauaperi que pescadores tradicionais e comerciais fecharam um acordo de “cessar-pesca”, válido por três anos, para dar tempo aos peixes de se reproduzirem. Entre abril de 2007 e abril de 2009, só a pesca de subsistência foi permitida. Apesar das invasões de geleiros no primeiro ano, a estratégia parece ter funcionado – pelo menos para os peixes.

Mas o conflito sobre quem tem o direito de pescá-los ainda está longe de ser resolvido. Ao fim do período, os moradores tentaram renovar o acordo por mais três anos. Não conseguiram.

Então apelaram para a Justiça. Em setembro de 2009, um juiz local concedeu liminar proibindo todo tipo de pesca no Jauaperi (menos a de subsistência) até que um estudo seja feito para determinar quanto de pesca o rio realmente pode suportar. O Ibama teve 90 dias para fazer o estudo. Não fez. Também não apareceu mais na região, segundo os ribeirinhos. “Conseguimos a decisão judicial, mas o principal não aconteceu: a fiscalização”, diz Lima, que preside a Associação de Artesãos do Rio Jauaperi.

Percebendo que havia peixe de novo na área, os geleiros voltaram a subir o rio, vindos principalmente dos municípios de Manaus e Novo Airão. A proibição judicial ficou só no papel. E o peixe já começou a ficar escasso de novo. “Quando o geleiro entra, a gente sente a diferença na hora”, diz Pedro da Silva Barbosa, de 50 anos, morador da comunidade Samaúma. “Antes, era só entrar no rio que eu pescava alguma coisa rapidinho. Agora, tenho de ficar no mínimo umas três horas na água para trazer o peixe para o jantar.”

Lima sente a mesma dificuldade em Itaquera. A sensação, para ele, é que todo o esforço do cessar-pesca foi por água abaixo. Vários geleiros – assim chamados porque ficam vários dias no rio e estocam o peixe em bacias com gelo – trabalham com redes em forma de saco que podem ir de uma margem a outra, fechando completamente o rio. É o chamado “capa-saco”. Tudo o que estiver passando pelo rio é capturado – peixe, tartaruga, boto, peixe-boi, jacaré, arraia. O que tiver valor comercial, vai para o gelo no porão. O que não tiver, é jogado de volta no rio para morrer.

Além da proibição judicial, há o período de defeso, de 15 de novembro a 15 de março, em que a pesca é proibida para proteger a reprodução dos peixes. Apesar disso, havia barcos pescando intensamente nos últimos meses. Muitos deles de noite. Todos ilegais.

O período crítico de pesca está terminando. É de outubro a março, durante a “seca” amazônica, quando os rios estão mais baixos e fica mais fácil encurralar os cardumes. Quando o rio sobe e invade a floresta, os peixes se escondem entre os troncos submersos e fica mais difícil pescar – até mesmo para ribeirinhos. “Quando chegar abril, maio, vamos ter de gritar de fome por aqui. Vai ficar muito difícil encontrar o peixe”, prevê Lima, que tem seis filhos para alimentar.

Ele e outros que defendem a criação da Resex recebem ameaças constantes – até mesmo de vizinhos da própria comunidade (mais informações nesta pág.).

Todos por ali se lembram da morte do Pimenta, apelido de José Santos Cruz, um voluntário do Ibama que foi morto a tiros no Rio Branco em 2006, quando defendia uma praia de desova de quelônios (tartarugas, tracajás e outros bichos de casco, como se fala na Amazônia). A caça desses bichos é ilegal, mas a carne e os ovos são muito apreciados por moradores da floresta e da cidade.

Tem também a história do seu Chico Caetano, da comunidade Floresta, na esquina do Jauaperi com o Negro, que teve a casa incendiada em 2008.

Um senhor bem disposto, de 72 anos, seu Chico recebeu a reportagem do Estado em uma manhã de muito calor, encharcado de suor e com um facão na mão, vestindo botas de borracha e um boné surrado do New York Yankees – time de beisebol do qual nunca ouviu falar. Acabara de voltar da mata, onde abria uma picada para arrastar a madeira que usará para refazer sua casa. Da morada original, só restou uma varanda chamuscada. “Quando a gente fala em reserva, o pessoal que faz tráfico de bicho de casco não gosta, não.”

Para ele, a Resex seria uma forma de controlar a pesca na região, “de modo que não chegue todo mundo aqui tirando o que quiser”. Muitos moradores, porém, temem possíveis restrições que a reserva traria ao seu modo de vida. “Sou contra, por vários motivos. Primeiro porque priva um pouco nosso ganho com a pescaria. E mais tarde podem trazer o Ibama para impedir também a agricultura. Não vai poder cortar mato, nem queimar, plantar nada mais”, diz o agricultor Silvio Moraes, de Itaquera. “Converso com pessoas de outras reservas e eles têm de roubar da própria terra para sobreviver.”

Pergunto a ele se não tem medo que o peixe do rio acabe. “Não, porque tudo que Deus faz não se acaba”, responde. “Só acaba para quem não acredita na palavra do Senhor.”

Outros ribeirinhos expressam a mesma preocupação: de que, se a Resex for criada, não poderão “cortar mais nem um pau”, fazer roça, caçar ou até mesmo pescar. “A maioria aqui não gosta de reserva não. Quando ouvem falar em Resex é uma marretada na cabeça deles”, diz o caboclo Lígio Cardoso de Freitas, de 61 anos, da comunidade Tanauaú.

A desinformação é agravada pela demora no processo de criação da reserva, que gera descrença entre os ribeirinhos. “Nosso esforço maior agora é o de esclarecimento”, diz o biólogo Francisco Oliveira Filho, coordenador do Programa de Áreas Protegidas do WWF-Brasil, uma das organizações que apoiam a criação da Resex. “Há um trabalho de contrainformação muito forte.” O modelo de reserva extrativista permite todas essas atividades, desde que feitas dentro de um plano de manejo. “No início eu era contra porque diziam que o Ibama ia meter uma corrente no rio e tirar todo mundo na porrada”, conta a ribeirinha Amélia Ferreira Peres. Agora, garante que lutará pela Resex “até o último dia”.

FONTE: Estadao (Estado de São Paulo)

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Redes de pesca matam entre 700 e 1,3 mil toninhas ao ano

Pesquisadores alertam para a morte de toninhas – um tipo de golfinho – que ficam presas acidentalmente em redes de pesca no litoral brasileiro.

De acordo com Eduardo Secchi, do Instituto de Oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), entre 700 e 1,3 mil toninhas morrem todos os anos no Rio Grande do Sul e no Uruguai por essa razão.

As redes de pesca chegam a ter entre 20 e 30 quilômetros. Mas, segundo Secchi, deveriam ter, no máximo, 7,5 km.

As toninhas geram somente um filhote a cada dois anos e costumam ficar próximas da costa. Por isso, acabam ameaçadas também pela poluição das águas.

Juntos, esses problemas têm feito o número de indivíduos da espécie declinar nos últimos anos. As toninhas estão classificadas como “vulneráveis” na lista vermelha de animais ameaçados de extinção da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN).

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Comércio de tubarão é discutido em reunião da ONU

Por Deborah Zabarenko WASHINGTON (Reuters) – A explosão na demanda asiática por sopa de barbatana de tubarão afetou a população global desse peixe, e uma regulamentação global seria a melhor forma de salvar oito espécies sob pressão, disseram conservacionistas na segunda-feira.

Oito tipos de tubarões – como o cação fidalgo e o tubarão barriga-d’água – deveriam ter sua pesca regulamentada sob a Convenção da ONU sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas (Cites), disse uma especialista da entidade Oceana, de Washington.

“A demanda pela barbatana de tubarão é tão alta que eles são retirados da água mais rápido do que conseguem se reproduzir na água para sustentar sua população”, afirmou Rebecca Greenberg, coautora do relatório da Oceana, divulgado em uma reunião sobre a Cites, de 13 a 25 de março em Doha, no Catar.

Na China, a sopa de barbatana de tubarão é tradicionalmente um símbolo de poder e prestígio, antes acessível apenas aos muito ricos, mas hoje ao alcance também da crescente classe média do país. O prato, um dos mais caros do mundo, pode custar até cem dólares, e uma única barbatana chega a valer 1.300 dólares, disse Greenberg por telefone de Doha.

Fonte: Último Segundo, REUTERS.

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Japão é contra inclusão de atum vermelho na lista de extinção

O Japão, mundialmente conhecido por seu sashimi, deixou claro quinta-feira que pretende manter-se inflexível diante dos esforços globais para salvar o atum vermelho, espécie ameaçada de extinção. A exemplo do que acontece com as baleias, comerciantes japoneses prometeram ignorar uma proposta de interdição do comércio internacional do peixe.

A proposta, apoiada pelos EUA e pela União Europeia, será discutida a partir de sexta-feira em Doha, capital do Qatar, durante a conferência da Cites, órgão da ONU responsável por proteger espécies em extinção, e promete provocar um debate acalorado. Para proibir o comércio internacional do atum vermelho, será preciso angariar o apoio de pelo menos dois terços dos 127 países membros da Cites.

O Japão, que consome cerca de 80% do atum pescado mundialmente, diz não acreditar que a espécie esteja sob ameaça. Um único atum de 220 quilos pode valer mais de US$ 170 mil em leilões nas principais cidades japonesas.

“Compreendo que o objetivo da Cites é proteger as espécies ameaçadas, mas não acredito que o atum vermelho se enquadre nesta categoria”, declarou o porta-voz do governo japonês, Hirofumi Hirano.

Segundo dados da Cites, as reservas de atum vermelho no Mediterrâneo e no Atlântico diminuíram em 80% nas últimas quatro décadas. “Não resta outra escolha a não ser agir agora e propor a proibição do comércio internacional do atum vermelho”, declarou o comissário europeu de Meio Ambiente, Janez Potocnik.

ÂMBITO
A atuação da Cites se restringe às transações que envolvem o comércio internacional, não levando em consideração outros fatores de ameaça, nem mesmo o comércio ilegal dentro das fronteiras dos países. As espécies monitoradas pela Cites são definidas por meio de acordos entre os países membros.

“Uma parte importante da solução que estamos propondo é a adoção de um mecanismo especial para os navios de pesca artesanal”, explicou a comissária da Pesca de Portugal, Maria Damanaki. “O nosso objetivo é assegurar um futuro viável para os pescadores, o que exige a existência de uma população saudável de atum. É óbvio para todos que a pesca intensiva e indiscriminada desta espécie não é o caminho a seguir”.

Susan Lieberman, diretora do Pew Environment Group, um centro de pesquisas em Washington, garantiu que, de um modo geral, o foco da próxima conferência da Cites será sobre espécies marinhas, uma vez que as ferramentas atuais de conservação vêm se mostrando incapazes de protegê-las.

Segundo a Organização de Alimentos e Agricultura da ONU (FAO, na sigla em inglês), mais da metade de todas as unidades populacionais de peixes marinhos estão sob ameaça.

“Se as medidas que estamos propondo passarem, isso significa que a comunidade global e os governos do mundo reconhecem que é preciso regulamentar o que estamos tirando do mar”, disse Lieberman, que já foi dirigente da delegação americana para a Cites. “Se a proibição não for aprovada, será uma indicação de que a exploração dos oceanos continuará desenfreada e que a comunidade internacional não está disposta a cuidar da saúde do nosso planeta a longo prazo.”

Hisao Masuko, diretor da divisão internacional da Associação de Cooperativas de Atum do Japão, disse temer que uma proibição possa abrir a porta para uma maior regulamentação das outras oito espécies de atum.

“Hoje é o atum vermelho, mas da próxima vez poderá ser o atum-branco ou o atum-amarelo”, disse Masuko. “Nós precisamos realmente lutar contra isso”. O atum vermelho é a maior das várias espécies existentes de atum. OS maiores exemplares, já raros, podem atingir até quatro metros e cerca de 700 quilos.

FONTE: Agência Terra

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