Japão oferece trocar criticada caça “científica” de baleias por cota comercial

da France Presse, em Tóquio

O Japão está disposto a reduzir sua cota de caça “científica” das baleias no oceano Antártico em troca de uma autorização de pesca comercial dos cetáceos ao longo de sua costa.

A Agência de Pesca Japonesa informou que vai apresentar este compromisso na próxima reunião da Comissão Baleeira Internacional (CBI).

090206 Nisshin Maru hauls minke whale up its slipway

No ano passado, na reunião da CBI em Portugal, o Japão ofereceu a redução do programa de pesca no Antártico, mas pediu autorização para caçar 150 pequenas baleias de Minke ao longo de sua costa.

A CBI, que reúne 85 países e deixou a decisão para 2010, impõe uma moratória ilimitada desde 1986 que proíbe a caça comercial da baleia, proibição que a Noruega por exemplo desafia abertamente.

A organização autoriza, com cotas limitadas, a caça em nome da “pesquisa científica”, praticada sobretudo pelo Japão, com um objetivo de 1.000 baleias ao ano.

A campanha japonesa no Antártico provoca todos os anos muitas críticas internacionais.

No fim de janeiro, o grupo Sea Shepherd protestou diante do consulado japonês em São Paulo contra a caça feita pelo país de baleias, golfinhos e tubarões.

No início do mesmo mês, um barco de US$ 2 milhões que o grupo utilizava para perseguir um navio baleeiro afundou após colisão provocada pelo navio japonês.

Fonte: Folha online – ambiente

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JAPÃO quer legalizar por mais DEZ ANOS sua cota de CAÇA CIENTÍFICA!!!

5 de Fevereiro de 2010 (The Age da Austrália)

Parece que as sessões secretas do Pequeno Grupo de Apoio da Comissão Baleeira Internacional, realizadas durante os últimos três meses, estariam garantindo uma vitória dos interesses baleeiros do Japão, mediante uma proposta que incluiria a legitimidade da chamada “caça científica” de baleias nas águas do Santuário Baleeiro Austral.

De acordo com o jornal australiano The Age, a proposta de reforma aceitaria como válida a controversa “caça científica” de baleias na Antártida durante a próxima década em troca de uma pequena redução no número de animais caçados.

A proposta, de caráter confidencial até a da data de hoje, é resultado do processo de negociação do Pequeno Grupo de Trabalho da CBI que se estabeleceu em Junho de 2009 e que conta com a participação de comissários do México e Brasil como representantes dos interesses dos países latino-americanos na CBI, também conhecido como Grupo Buenos Aires.

O Ministro da Pesca do Japão, Hirota Akamatsu, havia confirmado que seu governo está estudando uma nova proposta que busca o reconhecimento internacional das operações baleeiras do Japão em Águas Internacionais.

De acordo com fontes confidenciais, países tradicionalmente conservacionistas como Nova Zelândia e Estados Unidos estariam favorecendo a proposta baleeira.

As implicações de uma aprovação apressada que beneficia uma política unilateral baleeira do Japão poderiam gerar conseqüências negativas em diversas nações que utilizam e se beneficiam social e economicamente das baleias através de métodos não letais.

Uma recente pesquisa realizada na Austrália mostrou que 94% da população se opõe às operações baleeiras do Japão e que uma alta porcentagem favorece um eventual boicote comercial a produtos de origem japonesa.

De acordo com o jornal The Age, a última rodada de negociações do Pequeno Grupo de Apoio que se reuniu a semana passada em Honolulu, Havaí (EUA), adotou uma proposta para legitimar a “caça científica” de baleias na Antártida durante os próximos dez anos.

A proposta também deve incluir alterações na forma como funciona hoje a CBI e a possível criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul. No entanto, a eventual aceitação da “caça científica” em águas do Santuário de Baleias do Oceano Austral garante a eficácia de futuros santuários criados no âmbito da CBI.

Em um comunicado emitido recentemente pelo presidente da CBI, o embaixador chileno Cristián Maquieira afirma que os países do Pequeno Grupo de Trabalho “criaram um ambiente colaborativo para a gestão das operações de caça atual, reduzindo o número total de baleias capturadas anualmente.”

Maquieira deve apresentar publicamente um relatório sobre os resultados do Pequeno Grupo de Trabalho, durante uma reunião INTER-SESIONAL da CBI, a ser realizada na Flórida (E.U.A.) em março próximo.

Para Elsa Cabrera, diretora executiva do Centro de Conservação de Cetáceos do Chile, “a possível adoção de um acordo para legitimar a chamada ‘caça científica’ de baleias é inaceitável, pois representa a morte vergonhosa de uma organização multilateral – cuja missão deveria ser a adoção de políticas que representasse os interesses da maioria dos seus membros – para o nascimento de um corpo unilateral onde coação, abuso e mentiras do economicamente mais poderosos determina a utilização de um patrimônio natural que pertence a toda a humanidade”.

“No ano internacional da biodiversidade, seria lamentável que a CBI aceitasse esse questionável e negativo procedente para o direito ambiental internacional”, disse Cabrera.

Fonte: The Age, Kyodo News, CCC

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RJ – Traineira é flagrada com pesca de arrasto em APA do Pau Brasil

Ambientalista fotografa embarcação praticando modalidade proibida de pesca próximo de praia movimentada em Búzios (RJ)

Por: Lielson Tiozzo
Foto/Ilustração: Ernesto Galiotto
Publicado em: 02/2010

Uma cena lamentável e de completo desrespeito ao meio-ambiente foi flagrada pelo ambientalista Ernesto Galiotto durante a manhã do último sábado, 6. No interior da Área de Proteção Ambiental do Pau Brasil, entre Cabo Frio e Búzios (RJ), uma traineira com o apoio de outras embarcações menores passou o dia todo fazendo a pesca de arrasto, atividade proibida no local. A infração aconteceu próxima da praia de João Gonçalves, em Búzios.

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Galiotto encaminhou cerca de 150 fotos para o Instituto Estadual do Ambiente (Inea-RJ) e também para a Capitânia dos Portos. Os órgãos agora investigam as imagens para a pronta identificação das embarcações. Quando os responsáveis forem encontrados, serão multados e terão todo o material de pesca apreendido, além de estarem sujeitos à detenção, de acordo com a “Lei da Pesca”.

O ambientalista, que é um dos responsáveis pela criação da APA do Pau Brasil, estava indignado com o fato da pesca de arrasto ser praticada a poucos metros de praias muito movimentadas durante o Verão.

“Essa pescaria causa um grande prejuízo à natureza, porque o fundo do mar acaba virando um deserto, destruindo a fauna e a flora marinha. Eu fico muito chateado com isso”, lamenta Galiotto

Segundo o ambientalista, não é a primeira vez que a mesma traineira pratica a pesca de arrasto no local. “Essa embarcação circula sempre naquela região. Já cheguei a encontrá-la de madrugada e fui ameaçado pelos tripulantes. Mas agora não teve jeito. Eu estava lá e pude fotografar”, conta.

Galiotto não conseguiu idenfiticar quais eram as espécies pescadas pela traineira. No entanto, pela proximidade das gaivotas, ele acredita que apenas peixes pequenos foram capturados, tendo em vista que as aves não se alimentam de peixes grandes enroscados nas redes.

RJ

Pesca de arrasto

A pesca de arrasto consiste no uso de grandes redes lastradas que são colocadas em partes fundas do mar. Grandes placas metálicas e rodas de borracha presas a essas redes movem-se ao longo do fundo e esmagam praticamente tudo no seu caminho.

Segundo estudos de preservação, todas as provas demonstram que as formas de vida de águas profundas são muito lentas na recuperação dos danos causados pela pesca de arrasto, demorando de dezenas a centenas de anos para se recuperar.

Fonte: Site da Revista Pesca & Cia
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Ação Direta – Parando a frota baleeira na Antártida!!!

08-02-2010

Mar difícil, com ventos de 40 nós e ondas de 6 metros. Para sair do navio todos devem usar o “mustang suit”(veste laranja) e pedir permissão a ponte de comando durante o dia. A noite, ninguém é autorizado a sair no convés a não ser que haja uma emergência.

23h55- Nisshin Maru aponta o laser de cor verde em direção ao Bob Barker e Steve Irwin. Fazemos o mesmo na direção do navio japonês.

09-02-2010

60˚ 28 44`S / 77˚ 47 21`E

A visibilidade piora e chove por toda manhã.

A frota japonesa segue com sua formação ao redor do Steve Irwin e eventualmente muda de curso com diferença de poucos graus. Bob Barker está paralelo ao Steve Irwin. Pretendemos manter essa posição.

Às 14h55 preparamos uma ação acústica. Usamos o aparelho de som super potente, o “sound commander”, para dizer a frota japonesa que pare imediatamente com seu ato ilegal no santuário baleeiro. Havia na proa do navio o time que estava encarregado de acionar o “water canon”, porém como o Nisshin Maru ameaçou colisão diversas vezes, o plano foi abortado e os marinheiros vieram do convés até a altura da ponte de comando com um novo plano.

Todos os ativistas estavam preparados para lançar as bombas fedorentas quando o Nisshin Maru se aproximasse do Steve Irwin mais uma vez, quando na posição 60˚ 00`S/ 76˚ 36`. E,às 15h30, o navio japonês sai completamente da região que demarca o santuário baleeiro e se afastou mantendo uma distância de 2 milhas náuticas.

O Steve Irwin e Bob Barker continuarão seguindo a frota japonesa até que o combustível termine.

Para mim esse está sendo o momento mais importante de toda campanha e hoje completa mais um dia que a frota japonesa não está caçando nossas baleias! Estou intrigada com o novo curso que os navios estão seguindo e pensando se eles irão voltar ao santuário ainda essa noite ou não…

Passo o máximo de tempo possível na ponte de comando, para me informar sobre toda navegacão e a rota dos navios… além do fato de que uma outra ação pode acontecer a qualquer momento. Anna está mareada, o que significa que estive fotografando sozinha pela manhã e agora. Espero que ela se recupere o mais rápido possível!

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Crédito das Fotos: Barbara Veiga / Sea Shepherd

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BARBARA A BORDO DO STEVE IRWIN – Estamos seguindo a frota japonesa

08-02-2010

O dia para nós começou às 5hs da manhã, quando vimos no radar à 5 milhas náuticas os quatro navios da frota japonesa na posição 63˚ 53 60`S / 80˚ 52 54`E. Estavam lá o Nisshin Maru, Yushin Maru I, Yushin Maru II e Shonan Maru II. Bob Barker já está atrás deles há alguns dias e desde que eles encontraram os navios japoneses, nenhuma baleia foi morta.

12h56 – Já fazem 7hs desde que encontramos a frota japonesa e nesse momento eles acabam de formar um losângo ao redor de nós. Nisshin Maru está na nossa frente, Yushin Maru I e II, um em cada lado e atrás de nós, o já conhecido e confrontrado na travessia anterior, o Shonan Maru II.

Fomos atacados pelo Nisshin Maru com seu “water canon” acionado diversas vezes, também ameaçando colisão. Nesse mesmo momento, nossa tripulação preparou a ação do “propeler fouling” desde o navio, lançando na água uma enorme corda com metal dentro com o intuito de fazer os navios japoneses pararem, causando possivel dano em suas hélices. Tenho a impressão de que esse cenário pode durar dias ou até semanas.

O Steve Irwin está com um novo ar. Depois de quatro meses e meio a bordo, posso sentir que depois de termos encontrado a frota baleeira, estão todos muito otimistas e com mais energia do que todos os outros dias. Estamos apenas felizes em saber que nesse exato momento nenhuma baleia esta sendo morta.

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Crédito da foto: Glenn Lockitch / Sea Shepherd

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Steve Irwin se une ao Bob Barker

Às 7 horas da manhã, horário de Sidney, Austrália, o Steve irwin uniu-se ao Bob Barker na perseguição do Nisshin Maru.

Aguardou pacientemente atrás de um iceberg enquanto o Nisshim Maru fugia do Bob em sua direção, sem saber que estávamos lá!

Quando o Nisshin ficou a exatas 3 milhas náuticas do Steve Irwin o capitão Paul Watson deu ordens de acelerar os motores e que todos os tripulantes se preparassem para a AÇÃO DIRETA!

Ao emparelhar-se e ligar seus canhões de água contra o Steve Irwin, o NIsshin Maru descobriu que o Steve estava armanado com um canhão de água ainda mais poderoso que os seus.

Pretendemos agora acompanhá-lo até que nosso combustível fique no extremo limite para voltarmos nos tanques dos navios.

“Nenhuma baleia morreu desde que o Bob Barker interceptou a frota às 0100 horas no dia 6 de fevereiro. Agora é o terceiro dia em que a frota baleeira não pode matar baleias. Pretendemos transformar estes três dias livres de matança em três semanas”, afirmou o capitão Paul Watson. “Estou confiante que mais uma vez cortaremos sua quota e seus lucros severamente.”

Tanto o Steve Irwin quanto o Bob Barker tem combustível para acompanhar a frota por mais um mês.

“Pretendemos colar na traseira deles como cola não permitindo que uma única baleia seja levada a bordo” do Nisshin MAru, afirmou o primeiro oficial do Steve Irwin Locky MacLean.

Temos 41 tripulantes (29 homens e 12 mulheres) a bordo do Steve Irwin vindos da Austrália, Bermudas, Brasil, Canadá, Estônia, França, Japão, Hungria, Holanda, Nova Zelândia, Polônia, África do Sul, Suécia, Reino Unido, e Estados Unidos da América (15 nacionalidades).

Temos 30 tripulantes (6 mullheres e 24 homens) a bordo do Bob Barker vindos da Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos da América do Norte, Suécia, Reino Unido e África do Sul (6 nacionalidades).

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Crédito das fotos: Glenn Lockitch / Sea Shepherd

Nota do Editor:
Lembrando o ocorrido na segunda guerra mundial, estamos fazendo nosso FREMANTLE EXPRESS. Durante a segunda guerra os japoneses realizaram o seu Tokio Express onde seus navios de guerra iam a águas japonesas reabastecerm-se de provisões a fim de que estas fossem levadas aos seus navios nos mares longínquos e tropas em na Nova Guiné e Ilhas Salomão.
Enquanto uma embarcação persegue os baleeiros outra vai a Fremantle e se abastece.

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ATUALIZAÇÕES WALTZING MATILDA – RECADO DO EDITOR

Estamos disponibilizando a todos a primeira atualização com os textos e fotos da brasileira embarcada no Steve Irwin, Barbara Veiga.

Durante a leitura, vocês irão notar um português meio extrangeiro, fato que é explicado pela Barbara viver há vários anos fora do Brasil e falar e escrever pouco em português.

Como a bordo do Steve Irwin o teclado não tem pontuação para português, teclado inglês não possui alguns acentos que usamos na nossa língua, fiz o máximo possível para tornar a leitura agradável.

Esta primeira atualização, cobre a viagem da Barbara no Steve do dia 8 de outubro de 2009 a 19 de dezembro de 2009, com todas as fotos que ela selecionou para ilustrar os textos.

Espero que todos gostem.

Abraços
O EDITOR
Carlos Alberto Ferreira Francisco
Coordenador Regional Voluntário
Instituto Sea Shepherd Brasil
(Instituto Guardiões do Mar)

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Nadar com os pinguins – Uma experiência pra lá de louca!!!

19-12-2009

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O capitão Paul veio hoje com uma sugestão a tripulação de nadar nas águas gélidas da Antártida com os pingüins. Não deixa de ser uma proposta tentadora e me parece que em outras campanhas isso já aconteceu. Mas eu também adoro estar bem aquecida, não tem nada melhor que olhar esse gelo todo e estar protegida com meus três pares de meia, duas calca (uma delas sendo térmica), três camisas, dois casacos e de vez em quando ate coloco um “mustang suit” em cima de tudo isso.
Mas imagine só… nado com pingüins?! Quando ‘e que eu vou ter a chance de fazer isso na minha vida novamente?

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Difícil resistir, ate porque tenho dentro de mim uma aventureira – não foi a toa que já saltei de bungee-jump no Canadá, passei pela costa da Somália enfrentando os possíveis piratas da região e viajei para os cantos mais extremos do mundo, como por exemplo, o Sudão. Não dá, eu tenho que ir!!!
A solução ‘e ter muitos casacos me aguardando depois do “nado” ou “pulo” nas águas da Antártida. Não sei se vou ter a mesma disposição que nossos queridos amigos pingüins para ficar tanto tempo na água que pode ser abaixo de zero.
Ok, eu fui ate o convés do navio! Os corajosos estavam La. Primeiro eu fiquei olhando e fotografando os primeiros voluntários a saltarem. Wietse, Dan, Brian, Chad, James (que inclusive saltou duas vezes) e Brent, que fez o nado completamente nu!!! Esse sim merece aplausos!!! Ate o câmera-man do Animal Planet encarou a água gelada… foi muito divertido de olhar.

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E então faltava eu… bem, eu estava de havaianas e meus pés estavam começando a congelar. Das mulheres, Susan, Nicola e Sophie já tinham saltado. Eu só tinha um casaco que me separava dos ventos congelantes que me levariam ate o mar da Antártida. Não podia mais esperar. Se não fosse naquele momento, eu ia desistir por causa do frio. Então eu fui La e me joguei na água! Fui… fui sem medo, dei três pulinhos e saltei que nem uma sereia… até que WOWWWW um choque tremendo. Impossível de ficar mais que três segundos!!! E eu devo ter ficado uns dez.
Para voltar ao navio, era preciso pegar duas cordas e se equilibrar nos degraus que me levaram de volta ao meu camarote quentinho. O esquentador estava ligado, me esperando. Eu mal pude sentir meus dedos das mãos e dos pés… mas a experiência foi realmente única! Nunca me senti tão cheia de energia e tão feliz por ter vivido isso. Porem… não sei se faria de novo por causa do frio que passei! Bom, de repente eu faria sim…
Paul vai preparar um certificado para cada um que saltou desde o navio ate as águas glaciais. Achei interessante a idéia e vou guardar com muito carinho. De repente ate emoldurar e colocar na minha casa e lembrar que eu posso ser bem corajosa as vezes… :)
O dia já tinha começado bem. O nado foi as 11hs, o almoço da Laura foi delicioso e nós estávamos dessa vez ancorados pertinho de uma base australiana. A primeira base construída na década de 10, e la os residentes temporários (eles ficam 6 semanas por ano morando na base) fazem estudos e pesquisas com objetos que são encontrados no gelo.
Cientistas e arqueólogos nos convidaram para visitar a base. Pegamos o Delta (o nosso barco inflável) e estávamos: eu, o capitão Paul, Laura e o pessoal do Animal Planet. Eu tenho que dizer que pisar na Antártida foi uma experiência única. Fui primeiramente recebida por uma quantidade surreal de pingüins, aves e focas… foi incrível poder estar numa distancia de 1 metro desses animais num ambiente natural, no habitat deles. Eu fiquei muito emocionada nesse momento. Foram duas horas de muita paz e reflexão, no porque que eu estava ali, etc.
Parecia mesmo um sonho! Todo aquele visual e eu me senti rodeada de tanta vida… Meus olhos encheram d água e cada segundo foi único. Foi um dos dias mais especiais de toda minha existência!
A base australiana Mawson`s Huts Foundation existe ha mais de 100 anos, e ‘e mais antiga que a base francesa que Locky e Chris visitaram ontem, metade do tempo de existência. O total de pessoas na base é de dez pessoas, que nos receberam cordialmente, fizeram um pequeno tour por esta fantástica região e nos ofereceram chá com biscoitos em seu pequeno abrigo.
O laboratório ‘e interessante. Vimos latas, garrafas de diferentes nacionalidades, todos os vestígios dos exploradores entre 1910-1912. Visitamos também a antiga e original cabana feita de madeira usada pelos mesmos exploradores, ainda preservada. A cabana era pequena, havia uma sala de revelação de filmes, um fogão, uma sala com prateleiras ainda com livros da mesma época e um quarto com apenas uma cama. O isolamento térmico parecia ainda muito bom para a época, mesmo com o gelo que estava por toda parte.
Os integrantes da base foram convidados por Paul para jantar no Steve Irwin essa noite e Laura preparou um cardápio especial junto a nossa tradutora japonesa Leela. E foi um jantar fenomenal!!! Sushi vegano e para sobremesa, strudel de maca. Hum… Fui ate o convés depois desse dia maravilhoso e fiquei olhando os icebergs que nos rodeava e pensei como sou uma pessoa de sorte!

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Um raio no gelo

18-12-2009

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Atravessar esse lençol branco (a tal camada de gelo) foi magnífico. A cada movimento do Steve Irwin quebrávamos um pedaço daqueles grossos blocos de gelo e no momento que fazia a rachadura, desenhava no gelo uma espécie de raio… um raio no gelo.
Passamos essa manha pelas baleias fin e pela tarde orcas. Foi um dia intenso, cheio de icebergs gigantescos e espetaculares. Cena de filme. Cada um com um azul mais claro que o outro. ‘E um verdadeiro privilegio estar aqui e poder acordar (mesmo passando toda noite com claridade) e olhar meu “porthole” (janela do camarote) e ver incríveis icebergs, pingüins e pássaros….
Nossa intenção era chegar o mais próximo possível da base francesa e assim que chegarmos Chris ira com o helicóptero visitar a base com o meu marido, Locky.
Estamos próximos a base francesa. Lucy e Chris se preparam para a partida. Locky leva minhas fotos do Shonan Maru II ate a chefe do distrito de Ateliê. As fotos denunciam o dia em que o navio japonês ameaçou colisão com o Steve Irwin com o “water canon” ligado.

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Aparentemente o vôo foi incrível e a experiência em terras geladas inesquecível, segundo Locky. A tripulação enviou correspondências a ele para que fossem postadas e realmente essa oportunidade de poder enviar uma cartas desde a Antártida foi única. Infelizmente eu não tive o tempo que eu gostaria para escrever um postal (como faço de costume), porem escrevi uma carta para meu pai e outra para minha mãe – afinal graças aos meus tão amados pais estou aqui lutando pelos oceanos.
Não foram cartas com dizeres profundos. Foram breves, porem demonstrando meu respeito e agradecimento por ter me trazido a vida e expressando a minha felicidade de poder estar indo a um lugar tão incrível, experimentando mais uma vez a natureza em sua totalidade. Isso não tem preço que pague, ‘e uma experiência para toda a vida!

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Descobri que o capitão Paul escreve poesias e ele não deixou de citar três de suas obras nessa noite. A maioria inclui tempestades em alto mar, climas de tensões durante as navegações e paixões estarrecedoras em um clima meio medieval recheado de metáforas. Foi interessante perceber o lado poético do protetor dos oceanos. Essa eu não esperava!
Hoje sexta feira, o dia escolhido para socializar com a tripulação, porque abrimos o bar do navio. Chris e Laura estavam atrás do balcão servindo o pessoal e preparando altos drinques. Eu peguei leve, são tomei uma cervejinha porque tenho muito trabalho de edição das fotos de hoje. Estou feliz que ao menos consegui terminar o trabalho das fotos de ontem.
São 22h30 agora e escuto Air com a luz do sol que vai e volta.

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Shonan Maru – Parte 3

17-12-2009

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Tudo estava indo bem durante o meu plantão de 12h as 16hs. Passamos por focas, pingüins, “giant petrel”, “petrel pintado”… esses pássaros lindos que dão aquele colorido mágico no meio de tanto gelo. Além dos icebergs tradicionais, vimos iceberg de cor escura, um acinzentado quase negro e muitos pedacinhos de gelo que formavam desenhos de todos os formatos. Uma hora eu vi no gelo o formato de um elefante, outra um castelo, e por ai vai…

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Até que de repente o Shonan Maru II se aproxima do Steve Irwin com o water canon acionado. Nos assustamos porque nesse momento o Chris, nosso piloto, tinha acabado de voltar de um vôo com o intuito de ver as condições climáticas que estavam a nossa frente (velocidade do vento, quantidade de gelo, cor da água, etc), então as asas estavam sendo desmontadas ainda no helideck como ‘e feito de rotina depois de cada vôo. O helicóptero esta ali exposto, no exato momento que o Shonan Maru II ameaçou uma colisão.

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Piloto automático desligado e o capitão Paul vai para o timão. Tensão na ponte de comando que cada vez ficava mais cheia. A cada minuto chega um tripulante para saber o que esta acontecendo. Shonan Maru II esta cada vez mais próximo do Steve Irwin e o nosso engenheiro Erwin procurou ajudar como pode no processo para recolher o helicóptero para o hangar. Bevin e Joshua, os técnicos que trabalham para o Chris, conseguiram fazer bem o seu trabalho e apesar do susto, a missão de recolher o helicóptero para dentro do navio foi bem sucedida e o navio japonês parou de apontar o water canon em nossa direção mudando a sua rota.

Shonan Maru II anunciou três vezes para que nos afastássemos dessa área. Seguimos nosso percurso normalmente, porem os marinheiros já prontos para jogar as garrafas de ácido butírico caso o navio se aproximasse mais. Jogar garrafas com ácido butírico ‘e tradicional da Sea Shepherd.
A intenção deles ‘e com certeza fazer com que não encontremos a frota que no momento esta caçando baleias. Nos rodear ‘e uma forma de fazer com que nos percamos tempo na nossa busca dos navios japoneses.

Eu e Michael fotografamos o que pudemos, e esse material será utilizado no artigo do Paul Watson que vai amanhã para o site da Sea Shepherd.

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