Um raio no gelo
18-12-2009
Atravessar esse lençol branco (a tal camada de gelo) foi magnífico. A cada movimento do Steve Irwin quebrávamos um pedaço daqueles grossos blocos de gelo e no momento que fazia a rachadura, desenhava no gelo uma espécie de raio… um raio no gelo.
Passamos essa manha pelas baleias fin e pela tarde orcas. Foi um dia intenso, cheio de icebergs gigantescos e espetaculares. Cena de filme. Cada um com um azul mais claro que o outro. ‘E um verdadeiro privilegio estar aqui e poder acordar (mesmo passando toda noite com claridade) e olhar meu “porthole” (janela do camarote) e ver incríveis icebergs, pingüins e pássaros….
Nossa intenção era chegar o mais próximo possível da base francesa e assim que chegarmos Chris ira com o helicóptero visitar a base com o meu marido, Locky.
Estamos próximos a base francesa. Lucy e Chris se preparam para a partida. Locky leva minhas fotos do Shonan Maru II ate a chefe do distrito de Ateliê. As fotos denunciam o dia em que o navio japonês ameaçou colisão com o Steve Irwin com o “water canon” ligado.
Aparentemente o vôo foi incrível e a experiência em terras geladas inesquecível, segundo Locky. A tripulação enviou correspondências a ele para que fossem postadas e realmente essa oportunidade de poder enviar uma cartas desde a Antártida foi única. Infelizmente eu não tive o tempo que eu gostaria para escrever um postal (como faço de costume), porem escrevi uma carta para meu pai e outra para minha mãe – afinal graças aos meus tão amados pais estou aqui lutando pelos oceanos.
Não foram cartas com dizeres profundos. Foram breves, porem demonstrando meu respeito e agradecimento por ter me trazido a vida e expressando a minha felicidade de poder estar indo a um lugar tão incrível, experimentando mais uma vez a natureza em sua totalidade. Isso não tem preço que pague, ‘e uma experiência para toda a vida!
Descobri que o capitão Paul escreve poesias e ele não deixou de citar três de suas obras nessa noite. A maioria inclui tempestades em alto mar, climas de tensões durante as navegações e paixões estarrecedoras em um clima meio medieval recheado de metáforas. Foi interessante perceber o lado poético do protetor dos oceanos. Essa eu não esperava!
Hoje sexta feira, o dia escolhido para socializar com a tripulação, porque abrimos o bar do navio. Chris e Laura estavam atrás do balcão servindo o pessoal e preparando altos drinques. Eu peguei leve, são tomei uma cervejinha porque tenho muito trabalho de edição das fotos de hoje. Estou feliz que ao menos consegui terminar o trabalho das fotos de ontem.
São 22h30 agora e escuto Air com a luz do sol que vai e volta.
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