Nadar com os pinguins – Uma experiência pra lá de louca!!!
19-12-2009
O capitão Paul veio hoje com uma sugestão a tripulação de nadar nas águas gélidas da Antártida com os pingüins. Não deixa de ser uma proposta tentadora e me parece que em outras campanhas isso já aconteceu. Mas eu também adoro estar bem aquecida, não tem nada melhor que olhar esse gelo todo e estar protegida com meus três pares de meia, duas calca (uma delas sendo térmica), três camisas, dois casacos e de vez em quando ate coloco um “mustang suit” em cima de tudo isso.
Mas imagine só… nado com pingüins?! Quando ‘e que eu vou ter a chance de fazer isso na minha vida novamente?
Difícil resistir, ate porque tenho dentro de mim uma aventureira – não foi a toa que já saltei de bungee-jump no Canadá, passei pela costa da Somália enfrentando os possíveis piratas da região e viajei para os cantos mais extremos do mundo, como por exemplo, o Sudão. Não dá, eu tenho que ir!!!
A solução ‘e ter muitos casacos me aguardando depois do “nado” ou “pulo” nas águas da Antártida. Não sei se vou ter a mesma disposição que nossos queridos amigos pingüins para ficar tanto tempo na água que pode ser abaixo de zero.
Ok, eu fui ate o convés do navio! Os corajosos estavam La. Primeiro eu fiquei olhando e fotografando os primeiros voluntários a saltarem. Wietse, Dan, Brian, Chad, James (que inclusive saltou duas vezes) e Brent, que fez o nado completamente nu!!! Esse sim merece aplausos!!! Ate o câmera-man do Animal Planet encarou a água gelada… foi muito divertido de olhar.
E então faltava eu… bem, eu estava de havaianas e meus pés estavam começando a congelar. Das mulheres, Susan, Nicola e Sophie já tinham saltado. Eu só tinha um casaco que me separava dos ventos congelantes que me levariam ate o mar da Antártida. Não podia mais esperar. Se não fosse naquele momento, eu ia desistir por causa do frio. Então eu fui La e me joguei na água! Fui… fui sem medo, dei três pulinhos e saltei que nem uma sereia… até que WOWWWW um choque tremendo. Impossível de ficar mais que três segundos!!! E eu devo ter ficado uns dez.
Para voltar ao navio, era preciso pegar duas cordas e se equilibrar nos degraus que me levaram de volta ao meu camarote quentinho. O esquentador estava ligado, me esperando. Eu mal pude sentir meus dedos das mãos e dos pés… mas a experiência foi realmente única! Nunca me senti tão cheia de energia e tão feliz por ter vivido isso. Porem… não sei se faria de novo por causa do frio que passei! Bom, de repente eu faria sim…
Paul vai preparar um certificado para cada um que saltou desde o navio ate as águas glaciais. Achei interessante a idéia e vou guardar com muito carinho. De repente ate emoldurar e colocar na minha casa e lembrar que eu posso ser bem corajosa as vezes… ![]()
O dia já tinha começado bem. O nado foi as 11hs, o almoço da Laura foi delicioso e nós estávamos dessa vez ancorados pertinho de uma base australiana. A primeira base construída na década de 10, e la os residentes temporários (eles ficam 6 semanas por ano morando na base) fazem estudos e pesquisas com objetos que são encontrados no gelo.
Cientistas e arqueólogos nos convidaram para visitar a base. Pegamos o Delta (o nosso barco inflável) e estávamos: eu, o capitão Paul, Laura e o pessoal do Animal Planet. Eu tenho que dizer que pisar na Antártida foi uma experiência única. Fui primeiramente recebida por uma quantidade surreal de pingüins, aves e focas… foi incrível poder estar numa distancia de 1 metro desses animais num ambiente natural, no habitat deles. Eu fiquei muito emocionada nesse momento. Foram duas horas de muita paz e reflexão, no porque que eu estava ali, etc.
Parecia mesmo um sonho! Todo aquele visual e eu me senti rodeada de tanta vida… Meus olhos encheram d água e cada segundo foi único. Foi um dos dias mais especiais de toda minha existência!
A base australiana Mawson`s Huts Foundation existe ha mais de 100 anos, e ‘e mais antiga que a base francesa que Locky e Chris visitaram ontem, metade do tempo de existência. O total de pessoas na base é de dez pessoas, que nos receberam cordialmente, fizeram um pequeno tour por esta fantástica região e nos ofereceram chá com biscoitos em seu pequeno abrigo.
O laboratório ‘e interessante. Vimos latas, garrafas de diferentes nacionalidades, todos os vestígios dos exploradores entre 1910-1912. Visitamos também a antiga e original cabana feita de madeira usada pelos mesmos exploradores, ainda preservada. A cabana era pequena, havia uma sala de revelação de filmes, um fogão, uma sala com prateleiras ainda com livros da mesma época e um quarto com apenas uma cama. O isolamento térmico parecia ainda muito bom para a época, mesmo com o gelo que estava por toda parte.
Os integrantes da base foram convidados por Paul para jantar no Steve Irwin essa noite e Laura preparou um cardápio especial junto a nossa tradutora japonesa Leela. E foi um jantar fenomenal!!! Sushi vegano e para sobremesa, strudel de maca. Hum… Fui ate o convés depois desse dia maravilhoso e fiquei olhando os icebergs que nos rodeava e pensei como sou uma pessoa de sorte!
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