Antártida – Aonde o verão é mesmo abaixo de zero!
16-12-2009
Chegamos ao paralelo 60 graus e agora podemos dizer que estamos oficialmente na Antártida, o mais meridional dos continentes que surgiu quando se separava do antigo continente Gondwana (África) há mais de 100 milhões de anos! ‘E interessante imaginar que antes de todo esse gelo se propagar desde 15 milhões de anos atrás, haviam florestas e um clima bem diferente do atual…
O continente se formou em torno de 35 milhões de anos atrás quando se separou da América do Sul. Estou passando pelo lugar mais frio e mais seco da Terra, cercada pelos oceanos Atlântico, Pacifico e Indico. Mais frio ate que o Ártico porque a maior parte do continente esta acima do nível do mar há mais de três quilômetros.
Ouvi dizer que no verão existe uma população provisória de cientistas em bases polares que pode chegar ate 4 mil pessoas no verão. Mas ainda assim continua um lugar remoto, por não haver população permanente e principalmente pelas condições climáticas severas. Aqui ‘e o único continente inabitado, onde não há regras, leis, política, não pertence a nenhum governo ou país…
O que eu acho mais fantástico ‘e a neutralidade desse continente. Qualquer operação militar ‘e banida, deixando apenas espaço para os 29 países que fazem pesquisas científicas em suas bases (O Brasil esta incluído nessa lista!). Se não fosse tão frio, eu adoraria morar aqui Nas condições em que anda nosso mundo, me parece ser o lugar mais seguro para viver.
Chegando ao paralelo de 60 graus, já estamos no santuário baleeiro e o Shonan Maru II continua atrás do Steve Irwin. Seguimos rumo as águas antárticas francesas.
Tivemos neve pela primeira vez nessa viagem e logo o numero de icebergs no caminho vai aumentando cada vez que descemos alguns graus. Os marinheiros pouco trabalham no convés. ‘E cansativo trabalhar fora do navio nessas condições. As ondas estão um pouco maiores e temos ventos de 55 nos.
Paul Watson faz entrevistas para diferentes emissoras de radio e TV australianas quase todos os dias. A qualquer momento uma ação direta pode acontecer, já que estamos bem perto de onde os navios japoneses costumam ir todos os anos para a caca as baleias. A diferença desse ano ‘e que temos o Shonan Maru II atrás de nos, o que pode dificultar encontrarmos os navios baleeiros. Mas para onde eles forem, iremos atrás para impedir que mais baleias sejam mortas.
Pela manha passaram focas e duas baleias minkes há 10 metros do navio. Elas não chegaram a pular (poder vê-las saltando bem alto e fotografá-las seria um dos meus grandes sonhos nessa vida), mas só de poder vê-las tão de pertinho já ‘e uma grande felicidade, quase surreal de acreditar que estou ao redor dessas criaturas fantásticas. Eu adoraria poder nadar junto com elas algum dia…
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