Palau cria primeiro santuário para tubarões

Pesca será proibida nos 600 mil km² das águas territoriais de arquipélago no Pacífico.

FONTE: BBC

A pequena república de Palau, no Oceano Pacífico, vai criar o primeiro “santuário para tubarões”, proibindo toda a pesca comercial de tubarões em suas águas.

O presidente de Palau, Johnson Toribiong, deve anunciar a proibição durante a sessão desta sexta-feira (25) da Assembléia Geral da ONU. O presidente também vai pedir pela proibição global da extração das barbatana de tubarões.

A barbatana de tubarão é uma commodity cobiçada principalmente no sudeste asiático, onde é usada para fazer sopa.

Cerca de 100 milhões de tubarões são mortos todos os anos no mundo inteiro.

As águas territoriais do arquipélago de Palau, com mais 200 ilhas no noroeste da Oceania, ocupam uma área de cerca de 600 mil quilômetros quadrados, do tamanho da França.

“Estas criaturas estão sendo massacradas e talvez estejam prestes a serem extintas a não ser que sejam implantadas medidas positivas para protegê-las”, afirmou Toribiong.

“Sua beleza física e força, na minha opinião, refletem a saúde dos oceanos, eles se destacam”, disse o presidente à BBC na sede da ONU em Nova York.

Restrições

Vários países já implantaram limites para a captura de tubarões e restrições à retirada de barbatanas.

Mas, de acordo com ambientalistas que estão mais próximos da elaboração do projeto, a iniciativa de Palau leva a proteção aos tubarões a um novo nível.

“Palau reconheceu como os tubarões são importantes para ambientes marinhos saudáveis e eles decidiram fazer o que nenhum outro país fez e determinar que toda sua Zona Exclusiva Econômica é um santuário para os tubarões”, afirmou Matt Rand, diretor do setor de conservação global de tubarões no Grupo Ambientalista Pew, dos Estados Unidos.
“Eles lideram o mundo na conservação de tubarões”, acrescentou.

Rand afirmou que cerca de 130 espécies ameaçadas de tubarões frequentam as águas próximas de Palau e devem ser beneficiadas pela iniciativa.

O país, por seu lado, acredita que também poderá se beneficiar da inciativa. Palau recolhe a maior parte de sua renda do turismo e os tubarões são uma grande atração para mergulhadores

Os animais também poderão ter um papel na conservação dos ecossistemas nos corais da região.

No mundo todo, 21% das espécies de tubarão estão na categoria de “ameaçadas”. Outros 18% estão na categoria de “ameaça próxima”.

Mais de metade das espécies que passam a maior parte do tempo nas camadas superiores do oceano, expostas à pesca, estão na lista das ameaçadas.

A retirada ilegal das barbatanas é a causa principal da ameaça – mas a caça legal e a captura acidental de tubarões em redes de pesca de atum e marlim também pesam.

Palau poderá ter problemas para aplicar a proibição, pois tem um único barco equipado para o monitoramento de suas águas.

Uma inspeção aérea recente encontrou 70 barcos de pesca na área, a maioria deles ilegal.

Nota:
Nós do Instituto Sea Shepherd Brasil apoiamos incondicionalmente atitudes como esta do presidente de Palau.
As marinhas do mundo se preocupam mais em brincar de fazer guerra do que em salvar os mares e oceanos que suspiram por resgate.
Se a maioria dos governantes tivesse uma preocupação conservacionista os mares e oceanos do mundo não estariam assistindo a extinção em massa de muitas espécies animais.

Conforme o Capitão Paul Watson já afirmou “perderemos mais espécies de plantas e animais entre 1980 e 2045 do que perdemos nos últimos 60 milhões de anos. Este ataque extincionista sem precedentes é a prova de que nós somos a espécie responsável por isso”.

Parabéns senhor Johnson Toribiong. Aguardamos o anúncio do dia 25 com ansiedade.

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