Relato do salvamento de Baleias Piloto na Tasmânia
Por Peter Hammarstedt e Adam Lau
3 Mar 2009, Naracoopa




fotos Adam Lau
Quando recebemos a notícia do encalhe em massa de baleias Piloto em Naracoopa, King Island, Tasmânia, sabíamos que precisávamos nos envolver, mesmo que a localidade fosse de difícil acesso, apesar de não ser tão distante. Todos os anos nós viajamos milhares de milhas até o remoto Santuário das Baleias na Antártica para fazer tudo que podemos em defesa das baleias.
Então, quando soubemos que 173 baleias Piloto encalharam em King Island, sabíamos que a dificuldade de acesso não seria um obstáculo que nos impediria de ajudá-los. Imediatamente marcamos um vôo e mandamos 5 membros da nossa equipe de voluntários do Steve Irwin diretamente para o local de resgate para prestar ajuda ao Departamento de Parques e Vida Selvagem e ao Departamento de Indústrias Primárias e Águas de todas as maneiras que estivessem ao nosso alcance.
Nós medimos os nossos sucessos em nossas campanhas pelo número de vidas animais que conseguimos salvar. Na campanha desse ano de defesa às baleias Antárticas, a Operação Musashi, nós conseguimos com sucesso impedir a frota baleeira japonesa de matar baleias ilegalmente por 5 semanas, salvando centenas de vidas.
Levou um dia inteiro para dirigir à Costa Norte da Tasmânia e providenciar lugares em uma aeronave. Nós chegamos à noite. Cinqüenta e três das 54 baleias foram devolvidas ao mar graças ao extremo esforço do Depto. de Parques e Vida Selvagem, do Depto. de Ind. Primárias e Águas e à comunidade local. Restou apenas uma baleia, impossibilitada de ser realocada. Nossa equipe amparou a única fêmea restante, fizemos tentativas até 9h da manhã do dia seguinte para devolver a solitária baleia de volta ao mar, mas as condições do mar tornaram a ação impossível. Então nós permanecemos por mais um dia e noite para ampará-la, para que pudéssemos ajudar o Depto. de Parques a reintroduzi-la ao mar assim que as condições do tempo mudassem.
Sua respiração era regular, ela ainda tinha sua força, e nós pudemos movê-la à área de maré alta para que ela pudesse passar a noite a salvo. Foi incrível sentir seu corpo inteiro levantar-se com cada respiração, enquanto nós derramávamos baldes e baldes de água em seu corpo para mantê-la hidratada, protegendo-a do sol e do vento. Ela queria viver.
Enquanto continuávamos a lutar pela vida dessa linda criatura, ainda havia a questão do motivo para esses encalhes acontecerem.
Ainda sabe-se muito pouco sobre o comportamento das baleias Piloto, desconhecendo-se a razão do encalhe dos cetáceos.
O que se sabe, no entanto, é que a poluição sonora, seja por óleo ou gás, exploração ou manobras militares, afeta o sonar das baleias. Sem seu sonar, os cetáceos ficam impossibilitados de calcular sua distância da costa e acabam por nadar cegamente. Isso é extremamente perigoso em um lugar como a Tasmânia, onde a formação geográfica facilita o encalhe das baleias. Não há registros de atividades sísmicas a 2.000 milhas da Tasmânia, reforçando a possibilidade de que fatores humanos estão envolvidos nos encalhes em massa . Mais de 500 baleias encalharam nas últimas 9 semanas .
A Sea Shepherd pediu ao governo australiano para atentar ao efeito da poluição sonora nos padrões de alimentação, reprodução e migração para que barreiras ecológicas de som possam ser estabelecidas para proteger os cetáceos .
Foi um longo dia de trabalho ao lado de alguns dos mais apaixonados defensores de baleias do Hemisfério Sul .
Nós começamos nossa campanha de defesa das baleias no Pacífico Sul três meses atrás rumando ao território australiano Antártico para impedir frotas baleeiras japonesas de atingir uma cota imposta por eles mesmos de 935 baleias Minke e 50 baleias Fin ameaçadas, e estamos terminando fazendo tudo que podemos para salvar a vida de uma baleia Piloto.
Mais de 80% dos encalhes na Austrália acontecem na Tasmânia. Enquanto continuamos a trabalhar lado a lado com a equipe de resgate, nós somos constantemente lembrados de que cada uma dessas baleias é um indivíduo único e que cada vida que conseguimos salvar é uma vitória.
Muitos agradecimentos ao Capitão Watson Rob Holden, Jeff Hansen, Vanessa Pearce, Benjamin Baldwin e à equipe do Steve Irwin por permitir que nós ajudássemos nos esforços de salvamento.
04 de mar, 11:00h:
Às 8h nós começamos a exercitar a baleia sobrevivente. Ela completou 2 dias fora da água, então nós tínhamos muito poucas chances de conseguir salvar sua vida. Por duas horas, ela foi guiada em círculos em uma pequena piscina, onde ela foi encorajada a recobrar sua capacidade de boiar .
Finalmente é decidido levá-la a alto mar. Dois Jet-skis rebocaram a baleia. Em um certo ponto, ela mostrou-se muito forte, até para os Jet-skis, o que era um bom sinal, então ela foi solta e monitorada a muitos metros da costa. Em uma hora, ela havia juntado-se a um grupo de baleias Piloto em alto mar.
Cinqüenta e quatro baleias sobreviventes do encalhamento em massa de Naracoopa, estão de volta ao mar, um atestado da coragem, paixão e dedicação da união de agentes do governo, grupos ambientais e a dedicada comunidade local .
Nossos agradecimentos aos Departamentos da Tasmânia e às pessoas de King Island por nos dar a oportunidade de ajudar em um dos mais bem-sucedidos resgates de mamíferos marinhos na Austrália.
Traduzido por Maria Eduarda Gravina
Fonte Sea Shepherd News
