Uma Carta do Capitão Paul Watson – Parte 2

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“Nós precisamos fazer isso, não importa quais obstáculos eles lancem, e o quão violentos se tornem, ou quais pressões políticas, midiáticas e econômicas direcionarem sobre nós.

Eles podem nos chamar do que quiserem, mas não podem negar a realidade de que estão caçando baleias em risco no Santuário, em violação à moratória internacional sobre a caça comercial à baleia, desprezando o Tribunal australiano.

A Sea Shepherd, por outro lado, não tem violado leis internacionais. Não temos ferido ninguém, e não temos sido acusados de nenhum crime. Estamos agindo em conformidade com os princípios estabelecidos na Carta Mundial da Natureza, ao trabalharmos para sustentar e fazer cumprir as leis internacionais de conservação.

O que acontecerá este ano? É difícil prever com certeza? Iremos encontrar a frota? Estou confiante de que iremos. Eles irão reagir de forma mais violenta do que no ano passado? Suspeitamos de que irão. Iremos impedi-los de matar baleias? Acredito que seremos capazes.

Mas como Musashi uma vez observou, no que diz respeito à estratégia, precisamos avançar para a frota baleeira com absoluta determinação e coragem, focando no objetivo que é salvar quantas baleias for possível, sem perder o ânimo por causa de ameaças ou violências físicas, despreocupados com as conseqüências, preparados, cautelos, e ainda comprometidos com a política de “não fugir” e “não se render”. Temos de compreender que quando dizemos que estamos dispostos a arriscar as nossas vidas pelas baleias, que isso não é um slogan insignificante – é o que fazemos.

Precisamos mostrar que somos seres humanos dispostos a arriscar tudo para proteger a diversidade e o direito de outras espécies de viverem sem o abuso da ganância voraz da humanidade. Não lutamos apenas pelas baleias naquelas águas remotas do Antártico; lutamos pela diversidade da vida, e, dessa forma, pelo futuro da nossa própria espécie neste planeta.

Vai ser uma campanha emocionante, e eu vou direcionar todas as minhas energias para garantir que será uma campanha eficaz, e que a vida das baleias será salva.

Não posso expressar em palavras o quanto é maravilhoso ter intervindo pelas baleias nas temporadas anteriores. Saber que neste momento existem baleias nadando livremente nestas águas solitárias, e que agora poderiam estar mortas não fosse pela nossa intervenção. Saber que tantos bebês baleias existem agora porque fomos capazes de forçar os caçadores a poupar as mães é uma grande fonte de felicidade para mim. Eu os sinto lá fora, tão vivos e atentos, nestas águas escuras e geladas, e é essa conexão que acalma minha alma, com o ronronar de contentamento do meu coração. Na verdade, morrer em defesa da vida é a morte mais honrosa em que posso pensar, e, dessa forma, não pode haver medo; apenas esclarecimento e satisfação.

Então é para o Sul que nossa proa está indicando, e são 2.000 milhas até lá, ao meio de icebergs dos mares remotos e congelados desse extremo, onde vamos combater os assassinos dos gigantes gentis.

E pelo bem delas e pelo bem de nossos filhos, vamos vencer e tirar esses assassinos perversos do Santuário das Baleias no Oceano Antártico e, desse modo, vamos restaurar a integridade do Santuário num mundo em que os governos parecem ter perdido o significado da palavra “santuário”.

E pelas baleias, navegamos em direção àquilo que acredito que será nosso mais agressivo e mais eficiente confronto de todos os tempos com os caçadores japoneses.”

As imagens são da Campanha do ano passado. Fonte: Fotos da Operação Migaloo

Texto traduzido por Lucas Baptista, voluntário do Insituto Sea Shepherd Brasil

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