Uma Carta do Capitão Paul Watson – Parte 1
“Caros, amigos
Finalmente estamos em nosso caminho. No dia 4 de dezembro, meu navio Steve Irwin e minha equipe deixamos Brisbane em Queensland Austrália. Fizemos uma breve parada em New South Wales para abastecer e partimos no dia 7. Nós vamos fazer outra parada em Hobart, na Tasmânia, para encher os tanques, permitindo um maior alcance quando chegarmos ao Mar de Ross para inteceptar a frota baleeira japonesa.
Não temos qualquer ilusão de que esta será uma campanha fácil. O Japão tem 8 milhões de orçamento para se opor aos nossos esforços. Não sabemos o que isso significa. Será que vão levar uma canhoneira? Não temos certeza, mas eles disseram que irão nos prender se interferirmos em suas operações ilegais. Como irão fazer isso é uma incógnita. Vão atirar em nosso navio ou subir a bordo? Nós só precisamos nos preparar para todas as possibilidades.
Essa campanha tem 4 etapas. Basicamente é “preparar, buscar, interceptar e parar”
Nós estamos preparados. Nós aprimoramos nosso navio, substancialmente, desde a última campanha.
Nós temos o convés para o helicóptero e o suspensor construídos recentemente, um helicóptero renovado, e além do nosso experiente piloto ex-militar (Marinha dos EUA), também temos um dedicado mecânico.
Sobre o convés temos uma nova manivela hidráulica e dois rápidos botes interceptadores.
Nós temos o triplo do equipamento de segurança requerido, incluindo roupas de imersão e sobrevivência, botes salva-vidas, e transmissores de localização utilizados em situação de emergência. Também temos um médico a bordo e oficiais com certificados EMT (Técnicos em Emergências Médicas).
Temos inclusive um hábil soldador, um hábil carpinteiro, e uma equipe de engenheiros muito experientes liderada pelo Engenheiro Chefe Charles Hutchings. Temos mergulhadores qualificados, técnicos em comunicação e navegadores.
Também temos novas táticas, novo equipamento e novas idéias para ajudar em nossa missão.
E temos uma excelente tripulação. São 40, presentemente, e 8 da Animal Planet para filmar a 2° Temporada de “Guerra das Baleias”. Um terço da tripulação é australiana e um terço é americana, o resto é formado por cidadãos do Canadá, Grã-Bretanha, Alemanha, Bermudas, Nova Zelândia, África do Sul, Suécia, Hungria e Japão.
Um terço da tripulação é formado por mulheres, e metade estão retornando como veteranos.
Deixando Hobart, vamos começar a segunda etapa da campanha – a busca. Este ano a frota baleeira japonesa está operando no Mar de Ross, e é para onde nós vamos. É um longo percurso, e uma vez lá teremos uma vasta área para procurar, mas nós vamos explorar aqueles mares gélidos e remotos até encontrá-los, e quando isso acontecer, vamos interceptar, com esperança, antes de matarem muitas baleias.
Há várias diferenças entre esta campanha e as 4 viagens anteriores ao Santuário das Baleias.
Este ano vamos estar bem mais sozinhos lá.
O novo governo australiano de Kevin Rudd e Peter Garret não cumpriu as promessas da eleição, e eles não terão quaisquer navios no Oceano Antártico. Na verdade, a Marinha da Austrália foi ordenada para o porto – praticamente, todos os seus navios, oficiais, e tripulações foram mandados para casa, estão de férias por 2 meses.
Não tem sequer um único navio do governo australiano patrulhando as águas do Território Antártico, apesar do fato de que a frota baleeira japonesa tem matado baleias num direto desprezo ao Tribunal Federal da Austrália, que especificadamente proíbe a matança de baleias em águas das quais declarou soberania.
O Greenpeace não estará no Oceano Antártico, apesar de ter levantado 8 milhões de dólares para este determinado propósito. Eles recuaram justamente porque não querem ficar associados às ações da Sea Shepherd. O pretexto deles é que precisam enfrentar o julgamento de dois ativistas japoneses. O Greenpeace tem capital para fazer as duas coisas e certamente tem os navios. A verdade é que entregaram o Oceano Antártico para a frota baleeira japonesa. Eles não têm mais estômago para confrontos.
A chave para o sucesso contra os caçadores japoneses é a persistência. Nunca iremos nos render ou entregar o Santuário a eles. Precisamos continuar para minar seus lucros e precisamos continuar para expor ao mundo suas atividades ilegais… ”
fonte da imagem 1 original: Sea Shepherd International
fonte da imagem 2: Newsweek
Logo mais iremos postar a continuação da carta.
Texto traduzido por Lucas Baptista, voluntário do Instituto Sea Shepherd Brasil.

